|
As aeronaves de Patrulha, desenvolvidas pela Lockheed após uma série de notáveis aviões de patrulha iniciada com o Hudson (A-28), seguida pelo Ventura (PV-1) e sua variante Harpoon (PV-2) tiveram seqüência no extraordinário projeto do Neptune, designado como P2V. O terceiro avião de série da classe P2V-1 foi batizado de TRUCULENT TURTLE (Tartaruga Truculenta) e, equipado com tanques auxiliares de combustível estabeleceu em setembro de 1947 o recorde mundial de vôo de longa distância, sem reabastecimento de Pearth, Austrália a Columbus, Ohio, USA cobrindo a distância de 18089,3 quilômetros em 55 horas e 17 minutos. Posteriormente esta mesma aeronave fez um vôo de longa distância dos Estados Unidos ao Brasil, tendo pousado no Campo dos Afonsos, a época sede da Escola de Aeronáutica. A FAB recebeu, por conta do acordo de Fernando de Noronha, 14 aeronaves do tipo P2V-5 em 1959 que foram equipar o 1º/7º Gp Av, sediado na Base Aérea de Salvador. Na FAB, os P2V-5 receberam a designação de P-15, substituindo os PV1 e PV2. Os Neptunes marcaram época áurea da Aviação de Patrulha no Brasil de vez que, novamente possuiu a FAB, em seu acervo, uma aeronave de patrulha de primeira linha que dispunha dos mais modernos sistemas de armas para a guerra anti-submarino capaz de executar todas missões típicas de patrulha, inclusive minagem. Período de utilização: 1959 a 1976. Fabricante: Lockheed Aircraft Corporation. Emprego: Patrulha e guerra anti-submarino. Características: Monoplano, asa alta, bimotor.
|
|
O texto abaixo sobre o P-15 é de autoria do Dr. Rudnei Cunha que
gentilmente
autorizou sua utilização pela ABRA-PAT. |
![]() |
|
Projetado
pela Lockheed como uma poderosa aeronave de patrulha marítima baseada
em terra, o primeiro protótipo, XP2V-1 (Bu.No. 48237) alçou-se
aos céus pela primeira vez no dia 17 de maio de 1945.
O P2V "Neptune" era um avião bimotor, de asa média, com tanques de combustível nas pontas das asas, o da direita sendo equipado com um potente holofote para busca noturna na porção anterior. Inicialmente era equipado com canhões de 20mm em torretas no nariz, dorso e cauda; versões posteriores eliminaram-nas, sendo instalados painéis de "perspex" no nariz e um alongamento da cauda, armazenando um dispositivo retrátil MAD ("magnetic anomaly detector"), para a detecção de submarinos. Comparado com os seus antecessores, os Lockheed PV-1 "Ventura" e PV-2 "Harpoon" - ambos utilizados pela Força Aérea Brasileira, num total de 14 e 5 unidades, respectivamente - o Neptune tinha quase o dobro da potência, alcance quase uma vez e meia maior e, também, uma maior taxa de ascensão. O Neptune impressionou os meios aeronáuticos no dia 1º de outubro de 1946, quando o terceiro P2V-1 produzido completou um vôo sem escalas de três dias de duração, entre Perth (Austrália) e Columbus (E.U.A.), num trajeto de 11.235 milhas, quebrando o recorde de vôo em distância. Os últimos exemplares - nas versões P2V-7 e P2J - foram produzidos no Japão pela Kawasaki, sob licença da Lockheed, no início da década de 70, totalizando uma produção de 1.051 Neptunes, em todas as suas versões. A história dos Neptune brasileiros começa em 1952. Naquele ano, a "Royal Air Force" (Força Aérea Real da Grã-Bretanha) adquiriu 52 exemplares do modelo P2V-5, os quais tinham os números de série norte-americanos de 51-15914 a 51-15965. Chamados de Neptune MR.1 na R.A.F., eles receberam números de série dos blocos WX493-WX529 e WX542-WX556. Foram utilizados pelos esquadrões 36, 203, 210 e 217, pela unidade de conversão operacional 236 e pela esquadrilha 1453 até 1957, quando foram substituídos pelos Avro Shackleton MR.1. Dos 52 Neptunes da R.A.F., cinco foram perdidos em acidentes (WX542 em 15-I-1954, WX510 em 13-X-1955, WX545 em 10-X-1956, WX546 em 27-XI-1956 e WX511 em 22-I-1957), 24 foram vendidos como sucata em 1957-1958, um foi vendido para particulares em maio de 1957, oito foram vendidos diretamente para a Marinha Argentina em março de 1958 e os quatorze restantes - WX505, 509, 515, 519, 521, 523, 525, 529, 543, 544, 548, 553, 555 e 556 - foram transferidos para os E.U.A. de onde, após recondicionados, foram transferidos para a FAB entre dezembro de 1958 e maio de 1959. Designado de P-15 na FAB (foram brevemente redesignados de P-2E no período 1971-1972) e conhecido como "Netuno", logo angariou o respeito de suas equipagens, tendo representado um grande avanço em termos de equipamento operado pela FAB, à época. Os P-15 receberam os números de série FAB 7000 a FAB 7013, correspondendo aos números de série da R.A.F. conforme a tabela a seguir: |
|
Fonte:
A. Camazano A., "P-15 Netuno na Força Aérea Brasileira". In:
Revista do Manche, Nº 41, Setembro 1996.
|
|
Série
FAB
|
7000
|
7001
|
7002
|
7003
|
7004
|
7005
|
7006
|
|
Série
R.A.F.
|
WX505
|
WX509
|
WX515
|
WX519
|
WX521
|
WX523
|
WX529
|
|
Série
FAB
|
7007
|
7008
|
7009
|
7010
|
7011
|
7012
|
7013
|
|
Série
R.A.F.
|
WX525
|
WX543
|
WX544
|
WX548
|
WX553
|
WX555
|
WX556
|
|
A
partir de julho de 1958, 27 oficiais e 56 graduados da FAB estagiaram
por um período de quatro meses na Jacksonville Naval Air Station
- base aeronaval da U.S. Navy - a fim de se adaptarem à operação
dos Neptune e de seus sistemas.
No dia 15 de dezembro de 1958, os primeiros cinco P2V-5 iniciaram o vôo de traslado ao Brasil, chegando ao seu destino - a Base Aérea de Salvador - BASV - no dia 30 do mesmo mês. O traslado não foi sem incidentes, no entanto, pois o FAB 7009 foi interceptado por dois caças N.A. F-51 Mustang e um de Havilland Vampire da Força Aérea Dominicana, os quais forçaram a sua aterrissagem a tiros de metralhadora na Base Aérea de Santo Isidoro. Após as explicações dadas pelo comandante da aeronave, Cap.- Av. Santiago, foi o mesmo autorizado a levantar vôo. O incidente levou a uma troca de agudas mensagens diplomáticas entre o Brasil e a República Dominicana. Os P-15 foram operados exclusivamente pelo 1º/7º Grupo de Aviação "Orungan" - 1º/7º GAV, sediado na BASV. Todos os P-15 foram trasladados em vôo, dos E.U.A. ao Brasil, pelas equipagens do 1º/7º GAV. As tripulações do Esquadrão "Orungan" quebraram em duas ocasiões o recorde sul-americano de permanência no ar. Nos dias 8 e 9 de dezembro de 1961, foi realizada uma missão, pela equipagem dos Maj.- Av. Val e Cap.- Av. Mello, aos controles do FAB 7013, entre Porto Alegre (RS) e Belém (PA), com duração de 24h35min; e nos dias 22 e 23 de julho de 1967, o FAB 7011, sob o comando dos Maj.- Av. Siudomar e Cap.- Av. Ivan, completou uma missão entre Porto Alegre e Santa Cruz (RJ), a qual durou 25h15min. Os P-15 ostentaram três padrões de pintura na FAB: |
![]() |
|
-
de 1958 a 1967: fuselagem e asas em "sea blue", leme
em verde e amarelo, estrelas da FAB
em quatro posições nas asas, inscrições em branco. |
![]() |
|
-
de 1967 a 1970: porção superior da fuselagem em branco, demais porções
da fuselagem e asas em
"sea blue", leme em verde e amarelo, estrelas da FAB em quatro posições nas asas; "FORÇA AÉREA BRASILEIRA" em preto, demais inscrições em branco. |
![]() |
|
-
de 1970 a 1976: porção superior da fuselagem em branco, demais porções
da fuselagem e
asas em cinza médio, radome em preto, leme em verde e amarelo, estrelas da FAB em quatro posições nas asas; inscrições em preto. |
![]() Escudo do 1º/7º GAV Padrão Inicial |
|
![]() Escudo do 1º/7º GAV Padrão Final |
Algumas das aeronaves eram batizadas com o nome de uma ave marítima ou peixe - como "Martin", "Giant Petrel", "Tubarão" - o qual era pintado na porção inferior da fuselagem, à frente do símbolo do 1º/7º GAV. O FAB 7010 apresentava ainda a bandeira do Brasil pintada à frente na fuselagem, e o tanque na ponta da asa esquerda tinha a sua ponta pintada em azul, com o Cruzeiro do Sul sobreposto, seguido de duas faixas em verde e amarelo; uma representação estilizada do escudo da BASV era pintado no corpo do tanque. |
|
|
![]() |
![]() |
|
P-15
FAB 7011 "Giant Petrel", Operação UNITAS VII, 1967 (via N.L.
Senandes)
|
|
A
última missão de um P-15 na FAB foi realizada a 3 de setembro
de 1976, pela tripulação dos Ten.-Cel.-Av. Lott, Maj.-Av. Beuthner
e Cap.-Av. Nilson, a bordo do FAB 7009. O P-15
Netuno marcou profundamente a Aviação de Patrulha da FAB,
conforme ponderou o Brig.-do-Ar Manoel da Motta Paes quando da
sua desativação:
Dentre os P-15 operados pela FAB, três foram perdidos em acidentes ( |
![]() |
![]() |
|
P-15
FAB 7010 em exposição no Museu Aeroespacial (R.D. da Cunha)
|
|
*
Agradecimentos a Jeffery Cultice pelos gentilmente cedidos perfis de
P-15 que aparecem nesta página.
|
|
CARACTERÍSTICAS
TÉCNICAS (Lockheed P2V-5)
|
|
|
Motor
|
Dois
Wright-Cyclone R-3350-30W de 3.750HP
|
|
Envergadura
|
30,89m
|
|
Comprimento
|
24,88m
(28,57m com MAD estendido)
|
|
Altura
|
8,94m
|
|
Superfície
alar
|
92,90m2
|
|
Peso
|
18.098Kg
(vazio)
35.312Kg (máximo) |
|
Velocidade
|
333Km/h
(cruzeiro)
568Km/h (máxima, a 5.273m de altitude) |
|
Razão
de ascensão
|
799m/min
|
|
Teto
de serviço
|
7.925m
|
|
Alcance
|
6.250Km
(máximo)
|
|
Tripulantes
|
nove
|
|
Armamento
|
Até
3.628Kg de diferentes tipos carregados internamente; cabides para foguetes
de 5" nas asas.
|
|
Bibliografia:
|
| Topo | Retornar |