1º/7º GAv - ESQUADRÃO ORUNGAN

 


B-25 Mitchell

P-15 Neptune
 

P-95B Bandeirulha


         O Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAv.) previsto pelo Aviso Reservado Nº 31 de 08 de novembro de 1947, é a Unidade Aérea do Comando da Aeronáutica que tem por finalidade capacitar suas Equipagens e Equipes de Manutenção para executarem as Missões das Tarefas Operacionais de Interdição e Apoio ao Combate, determinadas pelo Comando da II FAe
         O 1º/7º GAv. é subordinado operacionalmente ao Comandante da Segunda Força Aérea e administrativamente ao Comandante da Base Aérea de Salvador.
         O 1º/7º GAv. tem sede em Salvador, no Estado da Bahia
         O 1º/7º GAV foi ativado, com equipagens e equipamento do 2º Grupo de Bombardeio Médio.
         Ao 1º/7º GAV é atribuída a missão de esclarecimento marítimo, protegendo os direitos do Brasil nas suas 200 milhas de mar territorial. O esquadrão participa de vários exercícios, tais como BALÉIA, TROPICALEX II, UNITAS XXXI, com outras unidades da FAB, da Marinha do Brasil e outras forças de nações amigas, de forma a manter a sua eficiência operacional. Em tempos de guerra, sua missão consiste em Detectar, Localizar, Identificar e Neutralizar alvos inimigos, perpetuando assim a tradição da Aviação de Patrulha da FAB.
         O esquadrão operou diferentes aeronaves em sua existência, incluindo o NA B-25 Mitchell, Lockheed PV-1 Ventura, Lockheed PV-2 Harpoon, Lockheed P-15 Neptune and EMBRAER P-95 Bandeirulha.
         Atualmente, o esquadrão opera o EMBRAER P-95B Bandeirulha, equipado com um radar ASW SUPERSEARCHER. O P-95B pode ser armado com foguetes HVAR-5, SBAT-127 e 4 pods LM70/7 sob as asas.
         Os P-95Bs do 1º/7º GAV são batizados com nomes de aves marítimas, como por exemplo os P-95B s/n 7100 "Atobá", 7101 "Batuira", 7102 "Cormorão", 7103 "Flamingo", 7104 "Fragata", 7105 "Guará", 7106 "Jaçanã", 7107 "Maguarí", 7108 "Socó".

         O esquadrão tem como sede a Base Aérea de Salvador desde a sua ativação, a qual tem uma longa conexão com a Aviação de Patrulha da FAB, datando de 1942, quando aviões A-28 Hudson de um grupo de patrulha foi lá sediado. O 1º/7º GAV é portanto herdeiro do heroísmo das tripulações da Aviação de Patrulha sediadas no nordeste do Brasil durante a IIª GM.



Segundo a cultura africana, ORUNGAN, filho de AGANJU (a terra firme) e YEMANJÁ (a água), é o último dos personagens míticos da árvore genealógica das divindades africanas e representa o AR. Apaixonando-se pela mãe, passa a persegui-la, vindo a provocar-lhe uma queda e, em conseqüência disso, a sua morte e o nascimento dos outros deuses africanos (ORIXÁS) gerados por ela. "Como a imagem descrita deixa bem claro, vislumbei a mesma perseguição do elemento AR ao elemento ÁGUA contida na lenda. Desta forma, o AR (ORUNGAN) seria nossos aviões de patrulha marítima, o elemento perseguidor e os navios de guerra, pertecentes ao ambiente líquido, a ÁGUA (YEMANJÁ), o elemento perseguido", descreve o autor do símbolo Mário Cravo.

DESCRIÇÃO HERÁLDICA

O símbolo do 1°/7° Grupo de Aviação possui o formato de um escudo francês, tendo em sua parte superior direita o sabre alado em amarelo ouro representando a Força Aérea Brasileira. Ainda na parte superior encontra-se o nome do Esquadrão retirado da cultura africana fortemente ligado às tradições e crenças típicas da Bahia (na cor preta).

Ao centro, está representado a figura de Orungan , que se assemelha a uma águia vermelha, uma espécie de fênix agressivo e poderosa com uma série de braços que sugere a multiplicidade de ações da Aviação de Patrulha (Busca, Detecção, Localização e Destruição) e que, coroada demonstra soberania inerente a sua estirpe divina.

Ao seu redor está o verde-amarelo reprentando o Brasil, juntamente com o azul anil de nossos céus tendo a descrição numérica do Esquadrão de Patrulha da Força Aérea Brasileira na parte superior e Orungan na parte inferior.

O fundo de todo o símbolo está em branco reforçando a idéia do elemento AR, área de atuação da Unidade Aérea, e é margeado pelo amarelo ouro.


1º/7º GAv

ENCONTRO DE GERAÇÕES DE PATRULHEIROS EM SALVADOR

O Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAV), também conhecido como Esquadrão Orungan, sediado na BASV, organizou entre os dias 5 e 6 de abril, o XV Ageum de Olimpus.

Este evento tem como finalidade comemorar o Batismo de Fogo do Esquadrão Orungan, ocorrido no dia 5 de abril de 1943, quando o então Ten. Ivo Gastaldoni, à bordo de uma aeronave A-28 Hudson, bombardeou e afundou um submarino inimigo localizado no través de Aracaju, durante a 2ª Guerra Mundial.

A comemoração reuniu além dos atuais integrantes, vários ex-integrantes do 1°/7° GAV, proporcionando dessa maneira que diversas gerações de patrulheiros trocassem experiências vividas, discutissem sobre a situação atual da Aviação de Patrulha, bem como o seu futuro, e principalmente, mantivessem acesa a chama das tradições desse esquadrão cinqüentenário.

É uma honra para mim, como novo patrulheiro, conhecer pessoalmente o Maj.-Brig. Ivo Gastaldoni –– a lenda viva da Patrulha”, comentou o 2° Ten.-Av. Trope, oficial recém-chegado ao 1°/7° GAV.

Como parte do evento, foram sagrados como novos Olimpus, os seguintes Primeiros Pilotos de Patrulha: Cel.-Av. Ref. Osmar de Souza Machado, Ten.-Cel.-Av. Ronald Fleming Gonzaga ( atual comandante do 1°/7° GAV) e o Cap.-Av. Claudionei Lima Quaresma. Foram declarados como Olimpus Honorário, os seguintes militares: Cel.-Av. R/R José de Carvalho, Cel.-Av. R/R Januário Sawczuk e o Maj.-Esp.-Av. Ref. Jorge Gomes Pinto. “Sinto-me, neste instante, extremamente feliz, honrado e grato ao Esquadrão Orungan por este reconhecimento, que guardarei com muito orgulho em meu coração”– comentou emocionado o Major Gomes Pinto.

Esteve presente ao evento o Comandante da II FAE, Brig.-do-Ar Carlos Alberto Pires Rolla, que pôde constatar o imenso amor dos pilotos de patrulha à sua eterna Unidade Aérea e, também, a grande atenção e o valor que o Esquadrão Orungan destina ao simbolismo e às tradições da Força Aérea Brasileira.




HiSTÓRIAS DO 1º/7º GAv

DESFILE AÉREO DE 7 DE SETEMBRO DE 1959


A VOLTA POR CIMA

Na semana anterior ao “Dia da Pátria” recebeu o 1º/7º GAv a missão de deslocar o Esquadrão para o Rio de Janeiro a fim de integrar o “Desfile Aéreo” que se realizaou na então, capital da República, juntamente com aeronaves de diversos Esquadrões e Grupos da FAB.

O 1º/7º GAv iria apresentar seus aviões P-15 (Netuno), pela primeira vez ao povo brasileiro. Eram aeronaves modernas e bem equipadas que recentemente haviam passado a integrar a Aviação de Patrulha da FAB.

O Esquadrão e a Base Aérea de Salvador trabalhavam arduamente no preparo desse deslocamento. Deveriam participar do “Desfile Aéreo” com 12 aeronaves P-15. Isso parecia impossível devido à deficiência de suprimento e problemas de manutenção existentes. O desafio era de que o 1º/7º GAv deveria participar no Rio, no mínimo, com 9 aeronaves.

Oficiais e subalternos sabiam que as dificuldades eram enormes, mas teriam de ser superadas. Só admitiam cumprir a missão recebida, qualquer que fosse o sacrifício exigido. O Esquadrão executou o deslocamento para o Rio (BAe do Galeão) com 10 aeronaves P-15, que lhe dava a possibilidade de uma formatura com 9 aviões, contando ainda também com um avião reserva, caso houvesse problema com qualquer uma das aeronaves envolvidas no “Desfile”.

As tripulações do 1º/7º GAv já se sentiam sobrevoando a Av. Presidente Vargas, com seus P-15 orgulhosamente integrando o “Desfile Aéreo”. A Parada Militar no rio, sempre era uma grande festa: homens, mulheres e crianças estariam agitando bandeiras brasileiras, como uma forma simples e patriótica de demonstrar seu amor ao Brasil, em sua data magna.

O início desse magnifico espetáculo dependia apenas da difícil decisão que cabia à autoridade máxima da FAB, responsável pelo “Desfile Aéreo”. As condições meteorológicas reinantes não eram boas: teto baixo, pouca visibilidade e chuva contínua na área. Todos queriam participar do evento, entretanto, estavam conscientes de que a decisão não poderia comprometer a segurança das aeronaves envolvidas e a grandiosidade do espetáculo.

As tripulações já se encontravam junto às suas aeronaves. Sentia-se no ar um sentimento de frustração. O “Desfile Aéreocorria o sério risco de ser cancelado. Os tripulantes se entreolhavam, como que perguntando: “Tanto esforço, tanto trabalho, tanto entusiasmo”. Teria sido em vão? Haveria alguma compensação? Todos sentiam que alguma coisa aconteceria, mesmo que fosse cancelado o “Desfile Aéreo”.

A ordem do cancelamento foi dada às 09:15hs, juntamente com a liberação de todas as aeronaves regressarem às suas unidades.

Em virtude do cancelamento do “Desfile Aéreo” no Rio, o Comandante decidiu que o 1º/7º GAv faria a sua apresentação na Parada Militar de Salvador cumprindo a missão que lhe fora atribuída, mudando apenas o local da apresentação do Rio, para Salvador.

Imediatamente foi dada a ordem a todo o Esquadrão.

Tripulações a postos para decolagem imediata cumprindo NPA do Esquadrão para deslocamentos em vôo IFR com decolagens a cada 30 segundos. As aeronaves iriam fazer um vôo direto Rio – Ilhéus, fora de aerovia, em regime máximo contínuo.

O 1º/7º GAv tinha pressa de chegar a Salvador. O Esquadrão se reuniria sobre Ilhéus e prosseguiria com seus aviões em formatura até a cidade de Salvador.

A intenção do Comandante era que o Esquadrão participasse da Parada Militar do “Dia da Pátria” antes do seu encerramento.

O 1º/7º GAv sobrevoou com seus P-15 em formação a Av. 7 de Setembro, encerrando a Parada Militar com um magnífico desfile. Foram feitas três passagens aéreas: a primeira com o Esquadrão em formatura; a segunda em Esquadrilha e a última em vôo razante individual, encerrando com chave de ouro a Parada Militar de 7 de Setembro de 1959.

Após a última passagem cada aeronave sobrevoou o Farol da Barra, prosseguindo para o pouso na BAe de Salvador.

As tripulações sentiam-se realizadas. Haviam cumprido com êxito a missão recebida. Haviam apresentado seus modernos aviões de patrulha ao Brasil.

O 1º/7º GAv estava de parabéns. O esforço, o trabalho, a dedicação e tudo mais que fora exigido de todos, no cumprimento da missão, havia sido regiamente recompensado.

Foi uma demonstração inequívoca na qual o Esquadrão (ORUNGAN) provou estar sempre pronto para cumprir qualquer missão recebida.

O final foi feliz. Reinava entre todos uma grande alegria e satisfação pelo dever cumprido. Havia sido dada a volta por cima.

Parabéns pela garra e feito glorioso do 1º/7º GAv – Esquadrão ORUNGAN, orgulho da Aviação de Patrulha da FAB
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