4º/7º GAv - ESQUADRÃO CARDEAL
RESUMO HISTÓRICO

         Em fins de 1956, a Marinha do Brasil adquiriu um Navio-Aeródromo na Inglaterra, batizado de "Minas Gerais", o qual foi transladado para a Holanda a fim de sofrer modificações e modernizações.


P-16 na catapulta do "Minas Gerais".

         A FAB, em cumprimento à legislação e doutrina em vigor, providenciou a criação da Unidade Aérea que forneceria os meios aéreos ao porta-aviões. Assim, em 6 de fevereiro de 1957 foi criado o 1° Grupo de Aviação Embarcada com a finalidade precípua de "guarnecer navios aeródromos da Marinha Brasileira" e em 1 de abril de 1957, através da Portaria n.º 283/GM3, foi designado o primeiro Comandante da história do 1º Grupo de Aviação Embarcada, o Ten. Cel Av Horácio Monteiro Machado.



         O grupo foi inicialmente organizado com dois esquadrões, um de caça e outro de patrulha. Mais tarde, quando a Marinha definiu que o Minas Gerais seria um porta-aviões anti-submarino, o 1° GAE foi reorganizado contando com um esquadrão de aviões de patrulha e um de helicópteros anti-submarino.
         Em outubro de 1958, foi designada a Base Aérea de Santa Cruz como sede, em terra, do 1° GAE. Nesse mesmo ano, a Unidade começou a receber seu equipamento inicial, seis aviões B-25 e dois helicópteros H-13J.
         No início do ano de 1959, o 1° GAE recebeu cinco aeronaves T-6D e em 12 de fevereiro daquele ano iniciou o treinamento de pouso simulado em navio-aeródromo, também conhecido como "Catrapo". Pouco mais de dois meses após ter iniciado esse treinamento, o 1° GAE já fazia sua primeira apresentação pública.



P-16 com as asas dobradas.
 

P-16 (note a inscrição na fuselagem).


         Em novembro de 1960, oficiais aviadores do 1º Esquadrão, dividos em quatro turmas, já realizavam os cursos previstos para pilotos de P-16. No dia 31 de Outubro, nossos pilotos fizeram sua estréia, pousando pela primeira vez a bordo de um porta-aviões, o ANTIETAM, da US Navy. Em dezembro, foi a vez dos oficiais aviadores do 2º Esquadrão (conhecido pelo nome de Anujá) iniciarem os cursos previstos para os helicópteros H-34.
         Em 26 de junho de 1961 chegaram ao Brasil, com pouso em Belém, os primeiros aviões P-16. No dia 28 de junho, véspera da chegada ao Rio, os integrantes desta primeira esquadrilha reuniram-se para um jantar em Vitória, Espírito Santo. Um dos pilotos das aeronaves de apoio cognominou os pilotos dos P-16 de "Cardeais", em virtude da semelhança do pássaro do mesmo nome com o gorro vermelho utilizado pelos Oficiais Aviadores do 1° GAE. Naquela ocasião ficou assentado que todos os anos, sempre no dia 28 de junho, os "Cardeais" se reencontrariam, o que vem acontecendo. Nesses encontros, a tradição, as lutas e as vitórias da Unidade são transmitidas aos Cardeais mais novos pelos mais antigos que, carinhosamente, são chamados de "Múmias". Este encontro anual é denominado "Ceias dos Cardeais".
         Em 10 de julho de 1960 decolava dos EUA para o Brasil um C-l24 da Força Aérea Americana, transportando um H-34 e uma equipe destinada a fazer, em conjunto com nossos especialistas, a montagem dos helicópteros à medida em que estes fossem chegando à Base Aérea de Santa Cruz. Enfim, chegava a tão sonhada aviação do 2º Esquadrão, para inciar a operacionalidade conjunta avião/helicóptero do 1º Gp Av Emb.




1º/1º Esquadrão
 

2º/1º Esquadrão


         Desde que regressou ao Brasil, em meados de 1961, até 1965, divergências doutrinárias impediram que o GAE operasse de bordo do Minas Gerais. Entretanto, no dia 7 de setembro de 1962, às 11:37P, a primeira aeronave da Força Aérea Brasileira, um H-34 pertencente ao 2º Esqd., pousava no NAeL Minas Gerais, numa missão de transporte de autoridade.
         Dentre as várias missões desta fase, destaca-se a "Operação Lagosta"; Barcos pesqueiros estrangeiros realizavam a captura de lagosta na plataforma continental brasileira, apesar de nosso governo ter estabelecido que apenas barcos previamente autorizados poderiam fazê-lo. Como alguns barcos estrangeiros teimavam em descumprir essa determinação, foram deslocados para a região próxima de Natal (RN), alguns navios de guerra brasileiros para, se necessário, fazer cumprir a deliberação tomada.
         Coube ao 1º GAE, que fora deslocado para Natal em 24 de fevereiro de 1963, manter contato visual com os pesqueiros durante o dia e contato radar à noite, de modo a conhecer sua posição e informar sobre os movimentos dos mesmos e de dos navios de guerra que estavam localizados na área.
         O sucesso da Operação Lagosta foi fator preponderante para que o Brasil pleiteasse e obtivesse de outros países o reconhecimento do direito de exercer sua soberania sobre as águas compreendidas entre o litoral e as 200 milhas marítimas.



ANUJÁS EM AÇÃO


         Dentre as muitas operações realizadas pelo 2º Esquadrão, cabe ressaltar a ''Operação Anujá Bombeiro":
          No dia 2 de setembro de 1963, foi recebido o Ofício n.º 282/63, do Comandante do Corpo de Bombeiros da PM do Estado do Paraná, solicitando o auxilio do SAR para o levantamento das áreas atingidas pelo fogo, bem como o resgate de pessoas que porventura o necessitassem, e o Apoio às equipes terrestres de combate ao fogo, pois havia sido decretado ''estado de calamidade pública'' em todo o estado paranaense, devido aos incêndios que o assolavam. O Salvaero-RJ, por sua vez, solicitou ao 1º GAE, às 18:00 horas do dia 04 de setembro, o pronto atendimento da referida missão. Às 16:00Z do dia 05 de setembro, o Grupo deslocou para o estado do Paraná três helicópteros H-34 (FAB 8552, 8553 e 8554) do 2º Esquadrão e uma aeronave B-25 (FAB 5079) do 1º Esquadrão.



INSTRUÇÃO E ENTREGA DOS H-34
À MARINHA DE GUERRA DO BRASIL


          Obedecendo ao Decreto n.º 55.627 de 26 de janeiro de 1965, o 1º GAE ministrou cursos nas áreas de manutenção e de vôo, para Graduados e Oficiais da Marinha de Guerra do Brasil, entre 19 de abril a 23 de julho de 1965, e entregou à Marinha todo o material disponível referente aos helicópteros H-34.



PRIMEIRO POUSO DE UM P-16A NO NAel " MINAS GERAIS"


          As operações aéreas a bordo do Minas Gerais com os P-16, tiveram início no ano de 1965, precedidas de uma série de reuniões e de vários treinamentos em terra e no dia 22 de junho de 1965 foi realizado então o primeiro pouso de aeronave P-16 a bordo do Minas Gerais, inaugurando uma nova era para a FAB e a Marinha de Guerra do Brasil.



RECORDE DE CONTATOS " MAD "


          No dia 27 de novembro de 1966, durante a OPERAÇÃO UNITAS VII, o Exmº Sr. Comandante do GT 86.2 recebeu o seguinte elogio:

Do Cmt. do USS VAN VOORHIS
Ao Cmt. do GT 86
INFO CMT DO GT 86.2

Hoje no VAN VOORHIS testemunhamos a mais bela execução de eficiência aérea que jamais vimos. Os P-16 7023 e 7025 obtiveram um total de 85 contatos MAD entre 15:00 e 16:00 horas. Solicito que este fato seja mencionado na critica.

(OP. UNITAS VII)

PRIMEIRO POUSO NOTURNO NO NAel " MINAS GERAIS"


          No dia 16 de agosto de 1968, às 17:20 horas, durante a UNITAS IX, decolou de bordo do porta-aviões Minas Gerais com a finalidade de sobrevoar o navio no período noturno e fazer algumas aproximações com arremetidas na rampa a fim de verificar o estado geral e a adequabilidade da iluminação do convés de vôo para futuras operações noturnas.
          O referido vôo foi realizado pelo P-16A 7020, sendo tripulado pelos Ten.-Cel.-Av. CRUZ e Maj.-Av. IALE.



MAIS FEITOS E HISTÓRIA


          Durante a Operações Unitas XII, em 1971, o 1º GAE operou pela primeira vez diurno e noturno, com qualquer tempo, baseado em navio aeródromo. A qualificação noturna obtida nesse ano possibilitou ao 1º GAE voar continuamente 36 horas com rendição no ar, baseado no Minas Gerais e realizando diferentes missões anti-submarino. Dentre essas, salienta-se a manutenção de um contato submerso por 2 horas e 45 minutos, por duas aeronaves empregando, unicamente, táticas DAM.
          A marca inédita em aeronaves P-16, de 10 horas e 15 minutos de vôo contínuo sem reabastecimento, foi obtida em 30 de maio de 1972.


A CHEGADA DOS P-16 E


          Os anos subseqüentes trariam ao 1º GAE a chama da renovação com o plano de reequipamento da FAB, proporcionando a aquisição de 8 S-2E, nos EUA.
          Já no início de 1975, seguiam para os EUA os primeiros militares do 1º GAE, dando início à série de preparativos que culminaria com a chegada, em dezembro desse ano, da 1º esquadrilha de P-16E ao Brasil.
          A aquisição dos P-16E constituiu, sem duvida, um grande passo dado pela Força Aérea, no sentido de evoluir material e operacionalmente na direção dos sofisticados equipamentos e táticas usados na moderna guerra anti-submarino.
          Com o Minas Gerais fora da atividade desde janeiro de 1974, passou o 1º GAE a operar baseado em terra, tendo tido presença marcante na manobra real da FAB em 1976. No ano seguinte, o 1º GAE teria oportunidade de operar com as Marinhas do Canadá, Inglaterra, França e Estados Unidos. O ano de 1980 marcou o retorno do porta-aviões Minas Gerais à operação com o 1º GAE, após reformas e reparos que o capacitaram para mais de 10 anos de atividade e os "Cardeais" retornaram ao convés de vôo em 14 de abril de 1980.
          Já na Operações Unitas XXI, em 1980, os novos P-16E realizaram pela primeira vez Operação anti-submarino, de bordo do porta-aviões Minas Gerais, sendo o primeiro pouso em 26 de setembro de 1980.



P-95A do 2º Esquadrão (Foto: A. Camazano A.).


CHEGADA DOS PRIMEIROS P-95 A (Bandeirulha) AO 1º GAE


          O início de 1992 trouxe um novo desafio para o Grupo; após várias reuniões, o 1º GAE dividiu seus Especialistas e Pilotos em várias turmas, que se deslocaram para a Base Aérea de Florianópolis, onde receberam instruções específicas sobre a aeronave. No dia 15 de junho de 1992, o 1º GAE recebeu a primeira aeronave P-95 A (FAB 7057) e no dia 26 de junho de 1992, a segunda aeronave P-95 A (FAB 7056) pousava em Santa Cruz.

Última missão operacional da anv P-16, partindo de bordo.


          No dia 13/08/96, às 20:00Z, o NAeL. Minas Gerais encontrava-se na posição 25° 32`S /038° 04`W e os últimos raios do sol ainda podiam ser vistos no horizonte. No convés de vôo, militares do 1º GAE e Equipe de convôo do navio disponibilizam, checam e alinham a anv P-16E 7034 para a ultima missão operacional desse tipo de aeronave, da FAB, partindo de bordo.
          Sua tripulação recebe as instruções do Orientador, checa os instrumentos e obtém o O.K. para a última decolagem de bordo.


Último vôo operacional da anv P-16, partindo de terra e último gancho a bordo.


          No dia 14/08/96, ás 14:15Z, a anv P-16E 7034 decolou da Base Aérea de Santa Cruz para realizar a última missão operacional de uma aeronave P-16 da Força Aéreo Brasileira, partindo da terra. Na missão, foram voados 03:00 hs realizando esclarecimento na área, identificando os contatos e vetorando o ataque dos helicópteros SH-3A da Marinha do Brasil à Força Naval Inimiga. Ao término da missão a aeronave foi recolhida no Porta-Aviões Minas Gerais, realizando o ÚLTIMO POUSO a bordo de uma aeronave P-16 da FAB, na posição 24°06’S/039°49’W, às 17:15 Z.


Último Vôo da Aeronave P-16 da FAB


          Após 35 (trinta e cinco) anos um barulho já familiar, deixou de ser ouvido nos céus de Santa Cruz. Por determinação das autoridades superiores e cumprindo o seu cronograma de desativação, no dia 30 de dezembro de 1996, às 10:30 horas, decolou da Base Aérea de Santa Cruz a Aeronave P-16E 7037.
          Sua missão: fechar com chave de ouro todo um período de idealismo, proficiência, dedicação e orgulho de bem cumprir a missão da Unidade: a guerra anti-submarino e guarnecer o Porta-Aviões Minas Gerais.
          Seu destino final: Museu Aeroespacial do Campo dos Afonsos
          Seu legado : Aos integrantes do 1° Grupo de Aviação Embarcada e da Força Aérea Brasileira, uma demonstração de robustez, operacionalidade e complexidade de seus equipamentos mecânicos, hidráulicos e eletrônicos, enfim, uma grande, barulhenta e perfeita máquina de guerra.


ATIVAÇÃO DO 4º/7º GAV


          Com a desativação das aeronaves P-16, o Exmº. Sr. Ministro da Aeronáutica, Tem.-Brig.-do-Ar Lélio Viana Lobo, através da Portaria n.º R-452/GM3, de 31 de julho de 1998, desativou o 1º Grupo de Aviação Embarcada e ativou o 4º Esquadrão do 7º Grupo de Aviação.


          Este novo Esquadrão da Força Aérea Brasileira, o 4º/7º GAv, com o efetivo do extinto 1º GAE, herda um passado de glórias, tradição e superação de desafios, tendo o Ten.-Cel.-Av. Paulo Renato Silva e SOUZA o privilégio de ter sido o último Comandante da história do 1º GAE e o primeiro Comandante deste novo Esquadrão, que por certo irá inserir uma nova página de glória na história da Força Aérea.
          Atualmente, a Unidade opera as aeronaves P-95 A (Bandeirulha), efetuando as missões de Patrulha Marítima dentro da Tarefa de Interdição, bem como outras missões da Tarefa Operacional de Apoio ao Combate e Apoio à Força.




EMBLEMA DO 1º GRUPO DE AVIAÇÃO EMBARCADA

 



DESCRIÇÃO HERÁLDICA

         Escudo francês, na peça chefe, campo em prata (branco) com a inscrição ''CARDEAL'' em sable (preto) em virtude da semelhança do pássaro do mesmo nome com o gorro vermelho, utilizado pelos oficiais do 4º/7º Grupo de Aviação; Unidade oriunda do Primeiro Grupo de Aviação Embarcada (1º GAE), da qual herdou tradições, doutrina e toda simbologia de seu emblema.
         Campo em blau (azul cerúleo), simbolizando o amor à pátria, contendo a inscrição latina ''SIC SEMPER TYRANNIS'' (Assim sempre com os Tiranos), na cor branca, mais abaixo o gládio alado em jalne (amarelo), símbolo da Força Aérea Brasileira, próximo ao coração, aparecem duas manoplas em prata (branco), que retiram do oceano, em blau (azul-ultramar) e em contra-chefe, um submarino em prata (branco) e sable (preto), quebrando-o em dois, irradiando raios em goles (vermelhos), lembrando a missão da organização, cujas primeiras operações se deram no porta-aviões Minas Gerais; missões estas específicas de guerra e patrulha anti-submarino, operando de base de terra, na Base Aérea de Santa Cruz.
         Campo em blau (azul-ultramar), simbolizando o oceano, com a inscrição ao fundo 4º/7º GAv em jalne (amarelo), sigla da organização (QUARTO ESQUADRÃO DO SÉTIMO GRUPO DE AVIAÇÃO) e ancora em prata (branco) simbolizando as tradições marinheiras incorporadas pelo Esquadrão durante o seu convívio com a Marinha do Brasil.

         Contornando o escudo um filete em jalne (amarelo) representando o nível de Comando da Unidade, Oficial-Superior.



EMBLEMA DO 1º GRUPO DE AVIAÇÃO EMBARCADA


DESCRIÇÃO HERÁLDICA

          Escudo de forma curva, regular, terminando em ponta, com o campo em blau (azul-celeste), composto dos seguintes elementos:
          Gládio alado, símbolo da Força Aérea Brasileira, em jalne no chefe; duas man óplas em prata retiram do oceano um submarino em prata e sable (preto), partindo-o ao meio significando a força; quatro centelhas em goles (vermelho), que completam a cena; mar em blau (azul-ultramar), ostenta a sigla 1º GAE em prata; encimando o escudo que é de ouro, uma faixa em blau (azul-ultramar) destaca-se a legenda latina, em prata: “ SIC SEMPER TYRANNIS ”.



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